Líbero
O líbero é um
atleta especializado nos fundamentos que são realizados
com mais freqüência no fundo da quadra, isto é,
recepção e defesa. Esta função
foi introduzida pela FIVB em 1998, com o propósito
de permitir disputas mais longas de pontos e tornar o jogo
deste modo mais atraente para o público. Um conjunto
específico de regras se aplica exclusivamente a este
jogador.
O líbero deve utilizar
uniforme diferente dos demais, não pode ser capitão
do time, nem atacar, bloquear ou sacar. Quando a bola não
está em jogo, ele pode trocar de lugar com qualquer
outro jogador sem notificação prévia
aos árbitros, e suas substituições não
contam para o limite que é concedido por set a cada
técnico.
Por fim, o líbero só
pode realizar levantamentos de toque do fundo da quadra. Caso
esteja pisando sobre a linha de três metros ou sobre
a área por ela delimitada, deverá executar somente
levantamentos de manchete, pois se o fizer de toque por cima
(pontas dos dedos) o ataque deverá ser executado com
a bola abaixo do bordo superior da rede.
Pontos
Existem basicamente duas formas
de marcar pontos no voleibol. A primeira consiste em fazer
a bola aterrisar sobre a quadra adversária como resultado
de um ataque, de um bloqueio bem sucedido ou, mais raramente,
de um saque que não foi corretamente recebido. A segunda
ocorre quando o time adversário comete um erro ou uma
falta.
Diversas situações
são consideradas erros:
* A bola toca em qualquer
lugar exceto em um dos doze atletas que estão em quadra,
na rede ou no campo válido de jogo ("bola fora").
* O jogador toca consecutivamente duas vezes na bola ("dois
toques").1
* O jogador empurra a bola, ao invés de acertá-la.
Este movimento é denominado "carregar".
* A bola é tocada mais de três vezes antes de
retornar para o campo adversário.2
* A bola toca a antena, ou passa sobre ou por fora da antena
em direção à quadra adversária.
* O jogador encosta na rede com qualquer parte do corpo exceto
os cabelos.
* Um jogador que está no fundo da quadra realiza um
bloqueio.
* Um jogador que está no fundo da quadra pisa na linha
de três metros ou na área frontal antes de fazer
contato com a bola acima do bordo superior da rede ("invasão
do fundo").
* Postado dentro da zona de ataque da quadra ou tocando a
linha de três metros, o líbero realiza um levantamento
de toque que é posteriormente atacado acima da altura
da rede.
* O jogador bloqueia o saque adversário.
* O jogador está fora de posição no momento
do saque.
* O jogador saca quando não está na posição
1.
* O jogador toca a bola no espaço aéreo acima
da quadra adversária em uma situação
que não se configura como um bloqueio ("invasão
por cima").
* O jogador toca a quadra adversária por baixo da rede
com qualquer parte do corpo exceto as mãos ou os pés
("invasão por baixo").3
* O jogador leva mais de oito segundos para sacar
* No momento do saque, o jogador pisa na linha de fundo ou
na quadra antes de fazer contato com a bola
* No momento do saque, os jogadores que estão na rede
pulam e/ou erguem os braços, com o intuito de esconder
a trajetória da bola dos adversários. Esta falta
é denominada barreira/screening
1 Os "dois toques"
são permitidos no primeiro contato do time com a bola,
desde que ocorram em um "toque consecutivo" - a
interpretação do que é ou não
"toque
consecutivo"
fica a cargo do árbitro.
2 A não ser no bloqueio.
O toque da bola no bloqueio não é contado.
3 A invasão por baixo
de mãos e pés é permitida apenas se uma
parte dos membros permanecer em contato ou tiver peojeção
com a linha central.
Fundamentos
Um time que deseja competir
em nível internacional precisa dominar um conjunto
de seis habilidades básicas, denominadas usualmente
sob a rubrica "fundamentos". Elas são: saque,
passe, levantamento, ataque, bloqueio e defesa. A cada um
destes fundamentos compreende um certo número de habilidades
e técnicas que foram introduzidas ao longo da história
do voleibol e são hoje consideradas prática
comum no esporte.
O saque ou serviço
marca o início de uma disputa de pontos no voleibol.
Um jogador posta-se atrás da linha de fundo de sua
quadra, estende o braço e acerta a bola, de forma a
fazê-la atravessar o espaço aéreo acima
da rede delimitado pelas antenas e aterrisar na quadra adversária.
Seu principal objetivo consiste em dificultar a recepção
de seu oponente controlando a aceleração e a
trajetória da bola.
Um saque que não consegue
ser corretamente recebido - seja porque a bola aterrissa diretamente
sobre a quadra, seja porque sai para fora da área de
jogo após ser tocada pelo adversário - é
denominado em voleibol "ace", assim como em outros
esportes tais como o tênis.
No voleibol contemporâneo,
foram desenvolvidos muitos tipos diferentes de saques:
* Saque por baixo ou por
cima: indica a forma como o saque é realizado, ou seja,
se o jogador acerta a bola por baixo, no nível da cintura,
ou primeiro lança-a no ar para depois acertá-la
acima do nível do ombro. A recepção do
saque por baixo é usualmente considerada muito fácil,
e por esta razão esta técnica não é
mais utilizada em competições de alto nível.
* Jornada nas Estrelas: um tipo específico de saque
por baixo, em que a bola é acertada de forma a atingir
grandes alturas (em torno 25 metros). O aumento no raio da
parábola descrito pela trajetória faz com que
a bola desça quase em linha reta, e em velocidades
da ordem de 70km/h. Popularizado na década de 1980
pela equipe brasileira, especialmente pelo ex-jogador Bernard
Rajzman, ele hoje é considerado ultrapassado, e já
não é mais empregado em competições
internacionais.
* Saque com efeito: denominado em inglês "spin
serve", trata-se de um saque em que a bola ganha velocidade
ao longo da trajetória, ao invés de perdê-la,
graças a um efeito produzido dobrando-se o pulso no
momento do contato.
* Saque flutuante ou Saque sem peso: saque em que a bola é
tocada apenas de leve no momento de contato, o que faz com
que ela perca velocidade repentinamente e sua trajetória
se torne imprevisível.
* Viagem ao Fundo do Mar: saque em que o jogador lança
a bola, faz a aproximação em passadas como no
momento do ataque, e acerta-a com força em direção
à quadra adversária. Supõe-se que este
saque já existisse desde a década de 1960, e
tenha chegado ao Brasil pelas mãos do jogador Feitosa.
De todo modo, ele só se tornou popular a partir da
segunda metade dos anos 80.
* Saque oriental: o jogador posta-se na linha de fundo de
perfil para a quadra, lança a bola no ar e acerta-a
com um movimento circular do braço oposto. O nome deste
saque provém do fato de que seu uso contemporâneo
restringe-se a algumas equipes de voleibol feminino da Ásia.
Passe
Também chamado recepção,
o passe é o primeiro contato com a bola por parte do
time que não está sacando e consiste, em última
análise, em tentiva de evitar que a bola toque a sua
quadra, o que permitiria que o adversário marcasse
um ponto. Além disso, o principal objetivo deste fundamento
é controlar a bola de forma a fazê-la chegar
rapidamente e em boas condições nas mãos
do levantador, para que este seja capaz de preparar uma jogada
ofensiva.
O fundamento passe envolve
basicamente duas técnicas específicas: a "manchete",
em que o jogador empurra a bola com a parte interna dos braços
esticados, usualmente com as pernas flexionadas e abaixo da
linha da cintura; e o "toque", em que a bola é
manipulada com as pontas dos dedos acima da cabeça.
Quando, por uma falha de passe,
a bola não permanece na quadra do jogador que está
na recepção, mas atravessa por cima da rede
em direção à quadra da equipe adversária,
diz-se que esta recebeu uma "bola de graça".
Levantamento
O levantamento é normalmente
o segundo contato de um time com a bola. Seu principal objetivo
consiste em posicioná-la de forma a permitir uma ação
ofensiva por parte da equipe, ou seja, um ataque.
A exemplo do passe, pode-se
distinguir o levantamento pelo forma como o jogador executa
o movimento, ou seja, como "levantamento de toque"
e "levantamento de manchete". Como o primeiro usualmente
permite um controle maior, o segundo só é utilizado
quando o passe está tão baixo que não
permite manipular a bola com as pontas dos dedos, ou no voleibol
de praia, em que as regras são mais restritas no que
diz respeito à infração de "carregar".
Também costuma-se utilizar
o termo "levantamento de costas", em referência
à situação em que a bola é lançada
na direção oposta àquela para a qual
o levantador está olhando.
Quando o jogador não
levanta a bola para ser atacada por um de seus companheiros
de equipe, mas decide lançá-la diretamente em
direção à quadra adversária numa
tentativa de conquistar o ponto rapidamente, diz-se que esta
é uma "bola de segunda".
Ataque
O ataque é, em geral,
o terceiro contato de um time com a bola. O objetivo deste
fundamento é fazer a bola aterrisar na quadra adversária,
conquistando deste modo o ponto em disputa. Para realizar
o ataque, o jogador dá uma série de passos contados
("passada"), salta e então projeta seu corpo
para a frente, transferindo deste modo seu peso para a bola
no momento do contato.
O voleibol contemporâneo
envolve diversas técnicas individuais de ataque:
* Ataque do fundo: ataque
realizado por um jogador que não se encontra na rede,
ou seja, por um jogador que não ocupa as posições
2-3-4. O atacante não pode pisar na linha de três
metros ou na parte frontal da quadra antes de tocar a bola,
embora seja permitido que ele aterrise nesta área após
o ataque.
* Diagonal ou Paralela: indica a direção da
trajetória da bola no ataque, em relação
às linhas laterais da quadra. Uma diagonal de ângulo
bastante pronunciado, com a bola aterrissando na zona frontal
da quadra adversária, é denominada "diagonal
curta".
* Cortada ou Remate: refere-se a um ataque em que a bola é
acertada com força, com o objetivo de fazê-la
aterrisar o mais rápido possível na quadra adversária.
Uma cortada pode atingir velocidades de aproximadamente 200km/h.
* Largada: refere-se a um ataque em que jogador não
acerta a bola com força, mas antes toca-a levemente,
procurando direcioná-la para uma região da quadra
adversária que não esteja bem coberta pela defesa.
* Explorar o bloqueio: refere-se a um ataque em que o jogador
não pretende fazer a bola tocar a quadra adversária,
mas antes atingir com ela o bloqueio oponente de modo a que
ela, posteriormente, aterisse em uma área fora de jogo.
* Ataque sem força: o jogador acerta a bola mas reduz
a força e conseqüentemente sua aceleração,
numa tentativa de confundir a defesa adversária.
* Bola de xeque: refere-se à cortada realizada por
um dos jogadores que está na rede quando a equipe recebe
uma "bola de graça" (ver passe, acima).
Bloqueio
O bloqueio refere-se às
ações executadas pelos jogadores que ocupam
a parte frontal da quadra (posições 2-3-4) e
que têm por objetivo impedir ou dificultar o ataque
da equipe adversária. Elas consistem, em geral, em
estender os braços acima do nível da rede com
o propósito de interceptar a trajetória ou diminuir
a velocidade de uma bola que foi cortada pelo oponente.
Denomina-se "bloqueio
ofensivo" à situação em que os jogadores
têm por objetivo interceptar completamente o ataque,
fazendo a bola permanecer na quadra adversária. Para
isto, é necessário saltar, estender os braços
para dentro do espaço aéreo acima da quadra
adversária e manter as mãos viradas em torno
de 45-60° em direção ao punho. Um bloqueio
ofensivo especialmente bem executado, em que bola é
direcionada diretamente para baixo em uma trajetória
praticamente ortogonal em relação ao solo, é
denominado "toco".
Um bloqueio é chamado,
entretanto, "defensivo" se tem por objetivo apenas
tocar a bola e deste modo diminuir a sua velocidade, de modo
a que ela possa ser melhor defendida pelos jogadores que se
situam no fundo da quadra. Para a execução do
bloqueio defensivo, o jogador reduz o ângulo de penetração
dos braços na quadra adversária, e procura manter
as palmas das mãos voltadas em direção
à sua própria quadra.
O bloqueio também é
classificado, de acordo com o número de jogadores envolvidos,
em "simples", "duplo" e "triplo".
Defesa
A defesa consiste em um conjunto
de técnicas que têm por objetivo evitar que a
bola toque a quadra após o ataque adversário.
Além da manchete e do toque, já discutidos nas
seções relacionadas ao passe e ao levantamento,
algumas das ações específicas que se
aplicam a este fundamento são:
* Peixinho: o jogador atira-se
no ar, como se estivesse mergulhando, para interceptar uma
bola, e termina o movimento sob o próprio abdômen.
* Rolamento: o jogador rola lateralmente sobre o próprio
corpo após ter feito contato com a bola. Esta técnica
é utilizada, especialmente, para mininizar a possibilidade
de contusões após a queda que é resultado
da força com que uma bola fora cortada pelo adversário.
* Martelo/manchete invertida: o jogador acerta a bola com
as duas mãos fechadas sobre si mesmas, como numa oração.
Este técnica é empregada, especialmente, para
interceptar a trajetória de bolas que se encontram
a uma altura que não permite o emprego da manchete,
mas para as quais o uso do toque não é adequado,
pois a velocidade é grande demais para a correta manipulação
com as pontas dos dedos.